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Nota sobre os sem-abrigo

por Flávio Gonçalves, em 27.12.19

Nem vejo mal que a comunicação social finalmente coloque em destaque a facilidade com que nos podemos tornar em sem-abrigo, seja pelo caso da ex-Ídolos Alexa, seja pelo psicólogo Inácio divorciado de uma ex-secretária de Estado. Aqui ao lado, em Espanha, são imensos os suicídios de pessoas que perderam as casas por um motivo ou outro (desemprego, doença, despejo por parte do senhorio) e em Portugal essa realidade não tem estado tão à vista. Este mediatismo serve o propósito de todos, para o patrão capitalista realça o receio já crónico de se ser despedido e substituído por quem aceite menos ordenado e menos direitos, para as Jonet do mundo fica provado quão necessária é a sua caridade e, com alguma sorte, permite que nós, socialistas, defendamos o socialismo, a dignidade humana e a urgência de uma política de habitação social que não seja vista como coisa de pobres e miseráveis.

São vários os casos em que algum cidadão anónimo ou vizinho preocupado alerta as juntas e câmaras para algum sem-abrigo (normalmente incómodo) na sua zona, de idosos com problemas neurológicos passando por toxicodependentes e alcoólicos até pessoas que pura e simplesmente foram despejadas para que os senhorios pudessem aumentar as rendas ou aproveitar a alta do mercado para vender as casas que lhes tinham alugado, a realidade é que uma grande massa da população quer que "resolvamos" isto, e 99,9% das vezes o "resolver" incute que querem apenas que aquelas pessoas desapareçam dali, do seu bairro, da sua rua, dos jardins, dos monumentos nacionais onde pernoitam. Lá no fundo, no fundo, mesmo que inconscientemente, estas pessoas não se incomodariam que esses desagradáveis morressem, desde que não tivessem que o saber, basta-lhes a alegria de saber que desapareceram e que "resolvemos" o problema... provavelmente até as podiamos levar para um campo de concentração ou trabalho forçado.

Afinal, vendo a subida do Chega nas sondagens e ouvindo o povo nos cafés, ficamos cientes de que se lhes dermos habitação social e um Rendimento Mínimo que lhes permita comer e ter uma réstea de dignidade, também é algo que não querem. Não compreendem que os seus impostos não são "para sustentar malandros e ciganos", são para garantir que um dia em que você, eleitor ou não do Chega, fique desempregado por haver alguém mais jovem e barato que o substitua, seja despejado pelo senhorio para este vender a casa com bom lucro, se reforme e passe os dias a falar mal dos imigrantes na tasca ou no café, possa ter direito a um tecto, uma refeição quente e à assistência de um hospital quando adoecer. É para isto que serve o socialismo! E Portugal, lamentavelmente, precisa de mais socialismo, muito mais socialismo até. E precisa de um governo que quebre com o paternalismo condescendente herdado do Estado Novo e assuma que a habitação digna - coisa que até consta da nossa Constituíção - é um assunto de Estado, e não de empréstimos a 50 anos contraídos em bancos que depois precisam de dinheiros públicos!!!

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Interpretar os Coletes Amarelos

por Flávio Gonçalves, em 19.12.19

Anteontem terminei finalmente a tradução de um belo ensaio sobre os coletes amarelos, naquela que foi a primeira colaboração com a Fundação Rosa Luxemburgo. O texto faz parte da colecção "Uma Cerveja no Inferno" organizada pela Fundação Rosa Luxemburgo e dirigida por Ethan Earle. Ethan Earle reside em Paris e é consultor político especializado em comércio internacional e em campanhas trabalhistas, economia social e solidária e na construção de pontes entre progressistas europeus e norte-americanos. Colabora actualmente com a revista The Nation, com o Partido da Esquerda Europeia e com o Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde no Parlamento Europeu, é dirigente do Comité Internacional dos Socialistas Democráticos da América. "Portanto, não são ideológicos, votam na extrema-direita, protestam com exigências de esquerda… o que pensar de tudo isto?" eis Onde sair na rotunda: para onde se dirigem a seguir os coletes amarelos.

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Joe Rogan entrevista Boyan Slat

por Flávio Gonçalves, em 19.12.19

Greta Thunberg insiste que ouçamos os cientistas, Boyan Slat é cientista... creio que todo o alarmismo, animosidade e até comparação negativa entre ambos é mero fruto do clickbait, das omissões da comunicação social e da memeficação das redes sociais. Depois de assistir à entrevista com Boyan Slat e ficar ciente das novas tecnologias que estão a surgir para recolher plástico e até "aspirar o carbono" (Carbon Engineering), compreendo melhor a insistência da Sp!iked! em como a humanidade não está no limiar do Apocalipse está, isso sim, subvalorizada...

 

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O Autarcias internacionalizou-se

por Flávio Gonçalves, em 13.12.19

Dada a minha colaboração com o Center for Research on Globalization, o Pravda e várias publicações e movimentos internacionais partidários de Bernie Sanders e Jeremy Corbyn, ou campanhas de solidariedade para com a Síria e a Venezuela, andava a ponderar a criação de um blogue em língua inglesa. Ao consultar diariamente órgãos de comunicação social tanto alternativa como "do sistema", saltava à vista que não há praticamente nenhum autor português a escrever em língua inglesa (só encontrei colaborações ocasionais de Raquel Varela e Boaventura de Sousa Santos) e pensei "pois bem, porque não eu?" Dando uma espreita ao Blogger constatei que ainda ninguém tinha registado o domínio respeitante à tradução em inglês deste meu blogue, então tomei ontem a liberdade de o fazer. Em parte creio que podemos culpar Andre Vltchek e Timothy Bancroft-Hinchey como a inspiração por trás disto. Vejamos como corre, dado o inglês não ser a minha língua materna. Senhoras e senhores, eis o Autarkies

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Afinal querem mesmo o Brexit

por Flávio Gonçalves, em 13.12.19

Ora bem, agora é mentalizar-me para não reagir impulsivamente a todo o ódio que a esquerda portuguesa e europeia irá destilar ainda mais contra Jeremy Corbyn. Não sei se algumas alas centristas do socialismo europeu não terão mesmo aberto umas garrafas de espumante ontem. Caros camaradas do Partido Socialista Europeu e respectivos think tanks, podemos finalmente dar como facto assente que os britânicos querem o seu Brexit e que o Partido Trabalhista o devia ter aceite em vez de andar a remar contra a maré? É que estas eleições foram monotemáticas, na prática mais um segundo referendo que umas eleições propriamente ditas.

O guião para os próximos meses: culpar Corbyn por ser "demasiado de esquerda" e um "anti-semita" em vez de aceitar que o Partido Trabalhista ter sido visto como um partido do Remain ao prometer um novo referendo minou por completo qualquer probabilidade de vitória. O Corbyn seria o líder certo para um Lexit ou para umas eleições pós-Brexit, mas aceitou a patranha anti-Brexit da ala urbana e da pressão internacional dos socialistas europeus e correu mal, mesmo muito mal.

Nestas eleições britânicas o que mais me saltou à vista, foi o repúdio que muitos militantes e dirigentes do PS sentem por Jeremy Corbyn, a Terceira Via aparentemente ainda é algo viável nas lusas terras... Lúcida e certeira foi a análise de Daniel Oliveira sobre as eleições britânicas no Sem ModeraçãoAconselho a toda a esquerda que retire as viseiras e recuem na box o programa do canal Q ou o ouçam no site da TSF.

 

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Por quem estou a torcer hoje...

por Flávio Gonçalves, em 12.12.19

 

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A homicida calçada tradicional portuguesa

por Flávio Gonçalves, em 11.12.19

O que mais incomoda nas manhãs chuvosas e ventosas, nem é a chuva nem o vento, ou sequer o frio, é andar na homicida "calçada tradicional portuguesa" sem ir ao chão, ao longo dos anos já angariei assim uns quantos entorces e conheço casos de ossos partidos e óbitos. Com uma população envelhecida e a existência de materiais modernos mais adequados aos passeios urbanos, só se justifica a manutenção da calçada "tradicional" por desleixo, falta de orçamento ou, suspeito, por puro sadismo autárquico. Esta devia ser retirada e substituída por pavimento moderno, evitando acidentes pessoais, as queixas continuas por parte dos trauseuntes devido à existência de ervas nos passeios e acima de tudo evitando a utilização de herbicidas tóxicos para exterminar essas mesmas ervas. Com excepção de casos pontuais onde exista um real interesse  com o desenho artístico, mais de 90% da calçada portuguesa devia ser erradicada em nome do bom senso e bem estar dos cidadãos, pois de ténis baratos até ao mais estilístico e dispendioso calçado, trata-se de uma armadilha mortal e arcaica sem lugar no século XXI!

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Dois textos certeiros de Paulo Pedroso

por Flávio Gonçalves, em 11.12.19

Quando me iniciei como autarca tive o gosto de testemunhar o brio ideológico de Paulo Pedroso na formação (a meu ver curta) que o Partido Socialista providenciou aos seus autarcas na sede nacional, Pedroso falou-nos da questão delicada das "opções ideológicas" no contexto das autarquias, um factor extremamente relevante e que devia ser o mais distintivo entre o que constitui uma gestão autárquica de carácter socialista de uma democrata-cristã ou liberal-conservadora. 

Desde então que o sigo nas redes sociais e leio com agrado as colunas de opinião que assina, e serve este postal precisamente para destacar duas publicadas esta semana e que considero de vital relevância doutrinária. A primeira dá pelo título O tal país de doutores e engenheiros e encontra-se publicada na edição pública do Diário de Notícias, e trata da democratização do acesso ao ensino superior e de como em Portugal tal ainda é muito mal visto tanto pelas elites como pelas próprias instituíções académicas, que não se modernizaram nem na técnica nem nas mentalidades.

O segundo texto trata da necessidade de alterar a lei da nacionalidade, intitula-se A máquina de fabricar estrangeiros e está também disponível em canal aberto no portal da TSF e alerta para uma realidade que há muito prego: "que só nas fake news do PNR e do seu irmão político Chega é que Portugal é um país a sofrer grande pressão imigratória. Temos um nível baixo de imigrantes e saldo migratório negativo. E mesmo a relutância dos refugiados que chegam à Europa em dirigir-se a Portugal nos diz que a construção de um súbito movimento turístico de massas para obter a nacionalidade portuguesa é apenas real em delírios de direita e protofascistas." Duas leituras essenciais que grande proveito farão ao argumentário de qualquer militante socialista, ou a meros democratas de gema.

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Sugestões de leitura

por Flávio Gonçalves, em 10.12.19

Nos últimos dias foram publicadas algumas traduções da minha autoria no portal da Libertária, dois são a meu ver de leitura obrigatória: Parem já com as mentiras sobre Assange da autoria de John Pilger, jornalista e cineaste premiado que nesta curta peça retrata o modo imparcial - ou mesmo mentiroso - com que Julian Assange tem sido retratado na comunicação social de massas.

Saltando para uma questão mais filosófica e prática, Andre Vltchek, jornalista de investigação e repórter de guerra, aproveitou a sua paragem em Paris no intervalo entre a sua partida do Líbano e chegada à Bolívia, com passagem por Hong Kong algures pelo meio, para indagar "que emoções o nosso trabalho, palavras e imagens realmente evocam. Ou não evocarão sequer quaisquer emoções?" Leia As mentiras que o Ocidente cria e depois consome. Duas leituras essenciais, embora um tanto ou quanto deprimentes dado o seu realismo, para compreender o mundo actual da comunicação social.

Alterando o foco agora para o socialismo europeu podem ler, da minha autoria, o SPD vira finalmente à esquerda na Libertária e, da autoria de Steve Hudson, A social-democracia alemã gira à esquerda na edição brasileira da Jacobin, ambos sobre a vitória surpresa da ala de esquerda do SPD quanto todos davam como garantida a vitória da insípida ala centro-liberal, para não a acusar mesmo de direita, de um dos partidos fundacionais do socialismo europeu. Esta semana devo traduzir ainda alguns textos sobre a actualidade europeia, cortesia da Fundação Rosa Luxemburgo e do jornal The Conversation.

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O Autor


Colaborador da edição portuguesa do Pravda.ru, tradutor, editor da Libertaria.pt, autarca e político a tempo parcial, socialista a tempo inteiro, membro do Conselho Consultivo do Movimento Internacional Lusófono, activista do Conselho Português para a Paz e Cooperação, açoriano e muitas outras coisas. Escrevo sobre comida, livros, música e outras irrelevâncias culturais no Livros à Mesa. Encontram-me em língua inglesa no Autarkies. Endereço para envios promocionais (livros, revistas, zines, etc.): Flávio Gonçalves, Apartado 6019, EC Bairro Novo, 2701-801 Amadora

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