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Apontamento sobre acção policial na Amadora

por Flávio Gonçalves, em 21.01.20

São tantas as histórias que ouvimos sobre a Amadora que, após cá residir há mais de 15 anos, nos habituamos a praticar um são cepticismo activo em tudo o que foque a acção policial no município onde tenho orgulho de ser autarca. Tanto assim é que das primeiras vezes que me mostraram o famoso vídeo recusei pronunciar-me, dado este só focar a parte final de um evento. Só após ler o relato detalhado no jornal Contacto assinado por um jornalista em cujo trabalho aprendi a confiar após provas dadas ao longo dos anos, é que comecei a repensar a minha opinião.

Na realidade ninguém agiu bem nesta situação e ninguém sai bem visto, comecemos pelo mau: a filha ter-se esquecido do passe e excepcionalmente a senhora não ter pago o bilhete, o que seria a atitude mais comum. Passamos ao pior: os comentários racistas do motorista em vez de deixar passar esta situação, o que seria a atitude racional mais comum e que várias vezes testemunhei com colegas seus, e este em vez disso chamar o primeiro polícia que lhe apareceu, que agiu desproporcionalmente à ameaça com que se deparou. O péssimo: um suposto sindicato unificado da polícia vir em "socorro" do agente utilizando um jargão de extrema-direita, o do "racismo anti-branco" (com amigos destes, o agente em questão não precisará de grandes inimigos).

Citando de memória a publicação que provavelmente já terá sido eliminada do Facebook este suposto sindicato (não sei se é uma entidade real, mas espero que não) afirma que a defesa da senhora "está já a ser orquestrada por quem tem como ódio mor os brancos". E nem comento as dezenas de comentários de concordância e apoio incondicional e comentários vários quanto "aos pretos" que cidadãos vários já lá deixaram.

Note-se que estamos a falar de mim, Flávio Gonçalves, que como cronista ao longo dos anos sempre pugnei por defender as nossas forças de segurança, por criticar o politicamente correcto da esquerda histérica cosmopolita e académica quando comparado com a sobriedade da esquerda trabalhista e por denunciar acusações disparatadas de racismo em casos pontuais como o sucedido noutra esquadra na Amadora e em outras situações apodadas de "racistas" que na realidade só servem para ignorar um problema de fundo muito maior que as nossas polícias e a guetização de boa parte da nossa força laboral: a luta de classes unilateral levada a cabo pelos piores representantes do capitalismo!

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2 comentários

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Pedro a 22.01.2020

Bom dia Flávio,
permita-me só uma nota em relação ao detalhe do passe: os menores de idade não têm de pagar bilhete, se não estou enganado. Nesta situação, exigir a apresentação de um passe parece-me claramente desnecessário. Iniciar um confronto verbal por causa disso, que depois escala para um episódio de brutalidade policial, é muito infeliz. Além do apuramento da situação envolvendo a polícia, espero que a empresa de transportes aprofunde os detalhes da situação, apure responsabilidades e faça o possível para evitar que algo assim volte a acontecer.
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Flávio Gonçalves a 22.01.2020

Obrigado pela informação. Ainda torna toda a situação mais absurda.

"As crianças entre os 4 e os 12 anos, desde que titulares do cartão Lisboa viva (perfil Criança), têm direito ao transporte gratuito nas redes dos Operadores de Transporte da Área Metropolitana de Lisboa."

Fonte: https://www.metrolisboa.pt/perguntas-frequentes/

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O Autor


Colaborador da edição portuguesa do Pravda.ru, tradutor, editor da Libertaria.pt, autarca e político a tempo parcial, socialista a tempo inteiro, membro do Conselho Consultivo do Movimento Internacional Lusófono, activista do Conselho Português para a Paz e Cooperação, açoriano e muitas outras coisas. Escrevo sobre comida, livros, música e outras irrelevâncias culturais no Livros à Mesa. Encontram-me em língua inglesa no Autarkies. Endereço para envios promocionais (livros, revistas, zines, etc.): Flávio Gonçalves, Apartado 6019, EC Bairro Novo, 2701-801 Amadora

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