Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

As polícias não são da extrema-direita

por Flávio Gonçalves, em 22.11.19

* Mário Machado alegava ter 600 seguidores, na última manifestação que convocou apareceram só 4 ou 5 e decidiu retirar-se da política activa. Afinal esses 600 são polícias segundo parece. [não sei se notaram que coloquei o * liberal que significa ironia antes da frase anterior].

Milhares de polícias saíram à rua, as fotografias que o Público captou da manifestação são avassaladoras. Será um erro crasso se à esquerda acharmos que é "coisa da extrema-direita" só porque um político oportunista lá decidiu aparecer. A dignificação daqueles a quem o Estado atribuiu a tarefa de nos proteger a todos não é "coisa da extrema-direita", assim só os empurramos para lá. São os protestos injustos? Não, não são. Esse é o cerne da questão.

O populismo não se combate, é impossível, o que se combatem são as causas do populismo (ordenados baixos, injustiças flagrantes, leis absurdas e que não fazem sentido, julgamentos na praça pública, sentimento de insegurança e abandono por parte da esmagadora maioria do eleitorado, sensação de caos nos serviços públicos, etc.).

O que há a explicar aos sindicatos de polícia no que toca ao Chega, é simples: vão ler o programa de Ventura. Quer proibir o tempo de dedicação dos dirigentes sindicais, proibindo na prática o cargo de delegado sindical, e liberalizar o despedimento sem justa causa. A proibição prática do sindicalismo,  como alerta Raquel Varela, e a privatização da Saúde e da Educação são as partes mais nefastas do programa que a extrema-direita em redor de André Ventura encobre com o seu populismo, desviando a atenção da esquerda com as suas provocações racistas (Trump e Bolsonaro utilizam esta receita com sucesso, tal como o Vox).

O problema é que na era actual os jornais sabem que um título sobre um comentário racista, crimes étnicos ou ciganos atrai mais clics e partilhas, seja pelos que concordam quer seja pelos cidadãos e figuras mediáticas que se sentem indignados, do que o milionésimo texto sobre um liberal querer acabar com conquistas de Abril como a Saúde e a Educação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

PUB

wook-natal-mrec


O Autor


Colaborador da edição portuguesa do Pravda.ru, tradutor, editor da Libertaria.pt, autarca e político a tempo parcial, socialista a tempo inteiro, membro do Conselho Consultivo do Movimento Internacional Lusófono, activista do Conselho Português para a Paz e Cooperação, açoriano e muitas outras coisas. Escrevo sobre comida, livros, música e outras irrelevâncias culturais no Livros à Mesa. Encontram-me em língua inglesa no Autarkies. Endereço para envios promocionais (livros, revistas, zines, etc.): Flávio Gonçalves, Apartado 6019, EC Bairro Novo, 2701-801 Amadora

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.


CC BY 4.0

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D


Links

Valem a Pena Ler

Valem a Pena Ouvir

Informação Lusófona

Editoras Discográficas

Editoras Literárias

Gastronomia

Instituições

Poder Local

Amadora

Horta

Plataformas Úteis